{"id":242555,"date":"2024-01-09T13:58:45","date_gmt":"2024-01-09T12:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/rtrsports.com\/crise-de-comunicacao-e-desporto-talvez-a-internet-salve-nos-ou-talvez-nao\/"},"modified":"2025-07-24T18:31:56","modified_gmt":"2025-07-24T16:31:56","slug":"crise-de-comunicacao-e-desporto-talvez-a-internet-salve-nos-ou-talvez-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rtrsports.com\/pt-pt\/blog\/crise-de-comunicacao-e-desporto-talvez-a-internet-salve-nos-ou-talvez-nao\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o de crise e desporto. Talvez a Internet nos salve. Ou talvez n\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p>No momento em que estas linhas s\u00e3o escritas, <strong>o mundo est\u00e1 em confinamento h\u00e1 meses<\/strong> devido \u00e0 pandemia <strong>do Coronav\u00edrus<\/strong>. F\u00e1bricas, escolas, universidades, escrit\u00f3rios, tudo est\u00e1 fechado, eventos foram cancelados, reuni\u00f5es de qualquer tipo s\u00e3o proibidas.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 um per\u00edodo sem precedentes,<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 na hist\u00f3ria de It\u00e1lia, mas tamb\u00e9m a n\u00edvel internacional: se \u00e9 verdade que durante as guerras mundiais o planeta j\u00e1 tinha vivido um estado de emerg\u00eancia semelhante, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que as condi\u00e7\u00f5es contextuais s\u00e3o profundamente diferentes.<\/p>\n<h2>A comunica\u00e7\u00e3o vai salvar-nos<\/h2>\n<p><strong>Fechados em casa,<\/strong> refugiamo-nos imediatamente nos dois grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o do nosso tempo, <strong>a televis\u00e3o e a Internet<\/strong>. O tubo de raios cat\u00f3dicos estava presente (mas n\u00e3o t\u00e3o difundido) mesmo durante a \u00faltima guerra mundial, enquanto <strong>a Internet<\/strong> representa a grande <strong>revolu\u00e7\u00e3o<\/strong> desta incr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o. <strong>A Covid-19<\/strong> \u00e9 a primeira emerg\u00eancia &#8220;digitalizada&#8221; do mundo.<\/p>\n<p><strong>O desporto<\/strong> est\u00e1, sem d\u00favida, entre as ind\u00fastrias que imediatamente inundaram a rede com mais rapidez e maior energia, inundando as principais plataformas de conte\u00fados. Equipas, atletas e campeonatos, claro, mas tamb\u00e9m jornalistas, produtores de artigos desportivos, comentadores e dirigentes come\u00e7aram subitamente a encher as colunas dos jornais, os quadros de avisos virtuais e as timelines das redes sociais, numa tentativa de compensar a aus\u00eancia do desporto praticado.<\/p>\n<p>O <strong>animador<\/strong> por excel\u00eancia da modernidade, tamb\u00e9m gra\u00e7as \u00e0 presen\u00e7a ativa de gabinetes de comunica\u00e7\u00e3o e de gest\u00e3o das redes sociais altamente estruturados, atacou o mundo da comunica\u00e7\u00e3o (nomeadamente online) de forma honesta e por vezes ousada, alternando podcasts, concursos, aperitivos online, v\u00eddeos do passado e at\u00e9 p\u00e1ginas para colorir.<\/p>\n<p>Em parte por medo, em parte como um exerc\u00edcio de purifica\u00e7\u00e3o e em parte por necessidade, muitas vezes todas estas actividades foram levadas a <strong>cabo sem um verdadeiro plano estrat\u00e9gico<\/strong>. Como j\u00e1 foi referido, estamos perante um epis\u00f3dio que n\u00e3o conhece precedentes: para muitos, se n\u00e3o para todos, este \u00e9 <strong>o ano zero<\/strong>. Com uma esperan\u00e7a: <strong>a comunica\u00e7\u00e3o salvar-nos-\u00e1<\/strong>. \u00c9 agora necess\u00e1rio verificar se este pressuposto \u00e9 necessariamente verdadeiro e qual <strong>a melhor forma de orientar os esfor\u00e7os relevantes<\/strong>.<\/p>\n<h2>O desporto, a admiss\u00e3o, a crise<\/h2>\n<p>Antes de iniciar an\u00e1lises ou coment\u00e1rios, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer firmemente um pressuposto, com grande seriedade e serenidade. <strong>O mundo do desporto, devido ao<\/strong> <strong>Coronav\u00edrus, entrou subitamente num momento de grande e profunda crise<\/strong>, provavelmente a pior da hist\u00f3ria do desporto internacional.<\/p>\n<p>Esta crise est\u00e1 longe de ser concetual: \u00e9 efectiva, tang\u00edvel, absolutamente concreta. Para todos os intervenientes no mundo do desporto (e aqui o conceito de &#8220;produto desportivo&#8221; de Hardy e Mullin, que representava a totalidade da a\u00e7\u00e3o e das realidades do desporto, \u00e9 bastante conveniente), esta crise assume diferentes aspectos e formas que, no entanto, t\u00eam um m\u00ednimo denominador comum, <strong>ou seja, as repercuss\u00f5es econ\u00f3micas<\/strong> sobre o emprego e a sua exist\u00eancia futura.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas complicadas para compreender a situa\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o se jogarem jogos (ou se n\u00e3o se realizarem corridas e eventos desportivos), todas as &#8220;<strong><em>raison <\/em><\/strong><strong><em>d&#8217;\u00ea<\/em><\/strong><strong><em>tre<\/em><\/strong>&#8221; para a subsist\u00eancia de um sector desaparece. Se fossem necess\u00e1rios dados para enquadrar a quest\u00e3o a um n\u00edvel proporcional, bastaria sublinhar aqui que <strong>o futebol \u00e9 a terceira ind\u00fastria do sistema italiano<\/strong>.<\/p>\n<p>Se os jogos n\u00e3o forem disputados, se <strong>os bilhetes e o merchandising n\u00e3o forem vendidos<\/strong>, n\u00e3o haver\u00e1 patrocinadores, o cal\u00e7ado desportivo ou os passes para o gin\u00e1sio deixar\u00e3o de ser necess\u00e1rios. N\u00e3o haver\u00e1 necessidade de circuitos, nem de manuten\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios, nem de ag\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o desportiva, nem de <strong>ag\u00eancias de patroc\u00ednio<\/strong>. Os jornalistas desportivos n\u00e3o ter\u00e3o nada para falar, os fot\u00f3grafos n\u00e3o ter\u00e3o fotos para tirar, as televis\u00f5es n\u00e3o ter\u00e3o nada para transmitir e os seus t\u00e9cnicos n\u00e3o ter\u00e3o nada para filmar, editar ou produzir. Em suma, a lista \u00e9 potencialmente infinita.<\/p>\n<h2>Comunica\u00e7\u00e3o de crise no desporto e na vida<\/h2>\n<p><strong>Os estudiosos da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/strong> est\u00e3o bastante familiarizados com o conceito de <strong>comunica\u00e7\u00e3o de crise<\/strong>, ou melhor, com o conjunto de estrat\u00e9gias e t\u00e1cticas a p\u00f4r em pr\u00e1tica quando algo inesperado acontece e que p\u00f5e seriamente em causa a reputa\u00e7\u00e3o de uma empresa ou de um sujeito. <strong>Warren Buffet<\/strong>, um famoso empres\u00e1rio americano, afirmou que<strong>&#8220;s\u00e3o precisos vinte anos para construir a reputa\u00e7\u00e3o de uma empresa e cinco minutos para a destruir<\/strong>&#8220;<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a teoria, a crise \u00e9 composta por sete camadas diferentes: <strong>alarme, medo, impacto, avalia\u00e7\u00e3o, salvamento, rem\u00e9dio, recupera\u00e7\u00e3o<\/strong>. Estas divis\u00f5es est\u00e3o longe de ser te\u00f3ricas e, mesmo no mundo do desporto, estas etapas est\u00e3o, infelizmente, a ser aplicadas de forma bastante ordenada pela evolu\u00e7\u00e3o dos factos.<\/p>\n<p>Houve um <strong>alarme<\/strong> &#8211; est\u00e1 a chegar da China um v\u00edrus cuja dimens\u00e3o sanit\u00e1ria \u00e9 assustadora; <strong>medo<\/strong> &#8211; se este problema se mantiver, ser\u00e1 necess\u00e1rio cancelar eventos, incluindo os desportivos; <strong>impacto<\/strong> &#8211; todos os eventos, incluindo os desportivos, s\u00e3o efetivamente cancelados.<\/p>\n<p>Estamos agora, seguindo a linha te\u00f3rica, na fase de <strong>avalia\u00e7\u00e3o<\/strong>, em que devemos fazer o balan\u00e7o do novo mundo e dotar-nos dos instrumentos para o enfrentar. Segue-se a fase de <strong>salvamento<\/strong>, ou seja, a a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o para acabar com a emerg\u00eancia, depois a fase de <strong>remedia\u00e7\u00e3o<\/strong> e, por fim, a <strong>recupera\u00e7\u00e3o<\/strong>, ou seja, o regresso a uma situa\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Na verdade, h\u00e1 j\u00e1 algum tempo que <strong>a comunica\u00e7\u00e3o de crise<\/strong> n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfica dos grupos industriais: <strong>muitas realidades desportivas tiveram de se equipar<\/strong> desta forma para lidar com esc\u00e2ndalos e momentos dif\u00edceis, por exemplo, de fraude ou doping. Basta ver como as grandes realidades desportivas lidaram com os casos de <strong>Lance Armstrong<\/strong> ou o deflate-gate <strong>dos New England Patriots<\/strong> ou, mais recentemente, a morte de <strong>Kobe Bryant, <\/strong>para citar alguns.<\/p>\n<p>Por isso, vale a pena esclarecer aqui um ponto. Se \u00e9 verdade que a primeira regra da comunica\u00e7\u00e3o de crise \u00e9 estar <strong>preparado para a crise<\/strong> (colocando hip\u00f3teses de cen\u00e1rios futuros ou avaliando poss\u00edveis fraquezas), era imposs\u00edvel prever, com suficiente clarivid\u00eancia, o que viria a acontecer antes dos acontecimentos <strong>de Wuhan<\/strong>, na China, e eventualmente de <strong>Codogno<\/strong>, na Lombardia. \u00c9 como se diss\u00e9ssemos: \u00e9 claro que <strong>hoje h\u00e1 uma crise, mas ningu\u00e9m a previu<\/strong>.<\/p>\n<p>Este ponto aparentemente trivial \u00e9, na verdade, fulcral para <strong>responder a muitas das quest\u00f5es<\/strong> que, nos dias que correm, est\u00e3o <strong>a envolver o mundo do desporto<\/strong>, dos coment\u00e1rios desportivos e <strong>do<\/strong> patroc\u00ednio desportivo. A verdade, de facto, \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 respostas para muitas perguntas, simplesmente porque nunca ningu\u00e9m as fez. <strong>Quando \u00e9 que o campeonato recome\u00e7a? Quem ganha se for suspenso? Os sal\u00e1rios s\u00e3o pagos se os jogos n\u00e3o se realizarem? Qual \u00e9 o papel do patrocinador se as corridas n\u00e3o se realizarem? <\/strong> S\u00e3o quest\u00f5es importantes, no entanto, destinadas a ficar sem resposta: a maior parte dos contratos assinados antes do coronav\u00edrus n\u00e3o previam nem uma fra\u00e7\u00e3o de tudo o que aconteceu nos \u00faltimos trinta dias.<\/p>\n<h2>Comunicar no escuro e a vez do principiante<\/h2>\n<p>Devido \u00e0 aus\u00eancia de <strong>diretrizes te\u00f3ricas<\/strong> (fruto do absurdo da situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 referido), assistimos agora, muito provavelmente, \u00e0s mais d\u00edspares e experimentais tentativas de comunica\u00e7\u00e3o. Com a inten\u00e7\u00e3o de pensar positivamente, <strong>este \u00e9 certamente um momento de grande crescimento para o mundo da comunica\u00e7\u00e3o desportiva<\/strong>: os factos obrigam-nos a olhar para <strong>novas ideias com ferramentas antigas<\/strong>, a construir um produto que falta e a acompanhar os utilizadores num mundo que \u00e9 invis\u00edvel.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 foi referido, partimos do zero e a dimens\u00e3o das estruturas n\u00e3o garante necessariamente um resultado positivo. Pequenos blogues geridos por jornalistas desportivos locais est\u00e3o a conquistar a rede com ideias brilhantes, enquanto <strong>as gigantescas propriedades desportivas<\/strong> mal conseguem sobreviver nos ambientes pol\u00edticos e jur\u00eddicos que as impedem. Algumas celebridades aparecem como campe\u00f5es, outras como fracassos que, infelizmente, ser\u00e3o recordados durante muito tempo. Alguns grupos mostram uma faceta desconhecida de si pr\u00f3prios, enquanto outros mostram uma faceta claramente deselegante.<\/p>\n<p>Vimos, em suma, nestas primeiras semanas de crise,<strong> uma comunica\u00e7\u00e3o muitas vezes \u00e0s escuras<\/strong>, que procura o caminho certo entre a infinidade de op\u00e7\u00f5es poss\u00edveis longe dos canais tradicionais; numa tentativa honesta de ser relevante tanto para o seu p\u00fablico como para os seus investidores.<\/p>\n<h2>Cada um por si, Deus por todos n\u00f3s<\/h2>\n<p>Qual \u00e9 <strong>, ent\u00e3o, o objetivo da comunica\u00e7\u00e3o desportiva<\/strong> nesta \u00e9poca de crise? A quest\u00e3o \u00e9 trivial apenas superficialmente.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um primeiro <strong>momento de participa\u00e7\u00e3o e de envolvimento<\/strong>, felizmente partilhado, muitas estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o encontram-se agora numa encruzilhada. \u00c9 evidente que as diferentes figuras desportivas comunicam por diferentes raz\u00f5es e com diferentes objectivos.<\/p>\n<p>Se considerarmos um fabricante de cal\u00e7ado desportivo, \u00e9 evidente que, para al\u00e9m das responsabilidades sociais, o seu objetivo ser\u00e1 encontrar uma forma de vender o maior n\u00famero poss\u00edvel de produtos. Se considerarmos uma empresa de radiodifus\u00e3o desportiva, podemos supor que o seu objetivo \u00e9 manter-se t\u00e3o atraente quanto poss\u00edvel para n\u00e3o perder assinantes. Se pensarmos numa equipa desportiva, n\u00e3o seria incorreto pensar que esta n\u00e3o s\u00f3 deve mimar os seus adeptos, como tamb\u00e9m n\u00e3o deve perder o contacto com os seus patrocinadores. <strong>Os patrocinadores<\/strong>, por sua vez, <strong>devem encontrar uma forma de continuar a explorar a popularidade e a visibilidade das propriedades desportivas<\/strong>. Da mesma forma, os atletas devem continuar a ser not\u00edcia e conhecidos do p\u00fablico para n\u00e3o perderem posi\u00e7\u00f5es no mercado desportivo e comercial.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples e, para al\u00e9m dos prop\u00f3sitos mais nobres, muitos se interrogam hoje <strong>sobre a forma de abordar a comunica\u00e7\u00e3o das crises <\/strong>com resolu\u00e7\u00f5es mais <strong>pragm\u00e1ticas<\/strong>. No fundo, como \u00e9 que podemos falar bem do que est\u00e1 a acontecer neste momento? Talvez estando pr\u00f3ximo da comunidade e tentando, ao mesmo tempo, relan\u00e7ar o motor das actividades econ\u00f3micas?<\/p>\n<p>O ideal seria eliminar os atrasos e evitar a <strong>estigmatiza\u00e7\u00e3o puritana <\/strong>f\u00e1cil. O mundo do desporto \u00e9 um entretenimento dirigido ao exterior (ou seja, aos adeptos) e \u00e9 uma verdadeira ind\u00fastria interna, com <strong>sal\u00e1rios a pagar, fornecedores pendentes, \u00e9pocas a preparar<\/strong>, contas a fazer, etc.<\/p>\n<h2>Oportunidades e riscos<\/h2>\n<p>Por isso, uma das quest\u00f5es mais interessantes \u00e9, sem d\u00favida, a <strong>da oportunidade da comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>. <strong>A oportunidade<\/strong> aqui deve ser entendida como<strong>&#8220;ser oportuno<\/strong>&#8220;, &#8220;n\u00e3o ser visto como fora do lugar&#8221;. Uma vez que a Internet oferece continuamente a possibilidade de as equipas, os atletas e os patrocinadores realizarem trabalhos comerciais mesmo fora dos eventos desportivos (como actividades para maximizar a visibilidade dos patrocinadores ou a promo\u00e7\u00e3o das suas lojas), o risco de encontrar especuladores est\u00e1 sempre ao virar da esquina. <strong>Em suma<\/strong>, <strong>a linha que separa a oportunidade comercial do mau gosto \u00e9 muito t\u00e9nue<\/strong>.<\/p>\n<p>Aqueles que, como n\u00f3s, lidam com patrocinadores sabem muito bem como \u00e9 importante, por exemplo, dar valor a um programa de patroc\u00ednio quando n\u00e3o se realizam corridas, n\u00e3o se realizam jogos e quando os eventos s\u00e3o cancelados. <strong>\u00c9 f\u00e1cil recorrer \u00e0 rede numa tentativa, muitas vezes inc\u00f3moda mas honesta, de dar aos parceiros o que o v\u00edrus lhes retirou<\/strong>, ou seja, a possibilidade de chegar a milh\u00f5es de espectadores. Por isso, \u00e9 compreens\u00edvel e leg\u00edtima a tenta\u00e7\u00e3o de produzir posts, interven\u00e7\u00f5es e actividades para terceiros ou de incluir publicidade de produtos para fins comerciais.<\/p>\n<p>No entanto, esta m\u00e3o estendida aos seus companheiros de aventura (como costumamos definir os patrocinadores) n\u00e3o pode transcender a grave circunst\u00e2ncia em que nos encontramos. Talvez seja mais oportuno <strong>aguardar algumas semanas<\/strong> antes de retomar a correta campanha publicit\u00e1ria e concentrarmo-nos, numa primeira fase, na comunica\u00e7\u00e3o e na responsabilidade social.<\/p>\n<p>No futuro, temos a certeza de que as empresas que souberam manter o sil\u00eancio sobre quest\u00f5es puramente comerciais ser\u00e3o mais apreciadas do que aquelas que, a todo o custo, tentaram for\u00e7ar a m\u00e3o para maximizar <strong>os patroc\u00ednios.<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 claramente um equil\u00edbrio muito dif\u00edcil de encontrar, em termos de peso e de tempo. <strong>Quando \u00e9 que podemos come\u00e7ar a falar de patroc\u00ednios<\/strong>, contratos, vendas e <strong>oportunidades de neg\u00f3cio<\/strong>? E quanto \u00e9 que estas actividades devem influenciar a totalidade da comunica\u00e7\u00e3o durante o dia ou a semana? E at\u00e9 que ponto um lobo se pode disfar\u00e7ar de cordeiro, mascarando a necessidade da oportunidade que o momento exige?<\/p>\n<h2>Caridade real e caridade de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<\/h2>\n<p><strong>A comunica\u00e7\u00e3o p\u00f3s-caridade<\/strong> \u00e9 um processo frequente nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Tenho uma opini\u00e3o muito forte sobre o assunto: <strong>a eleg\u00e2ncia quer dizer que a verdadeira caridade deve ser feita com as c\u00e2maras desligadas<\/strong>. Fazer um gesto simp\u00e1tico e depois mostr\u00e1-lo imediatamente n\u00e3o \u00e9 nem cavalheiresco nem ideal para fins comunicativos. Pelo contr\u00e1rio, quando o voluntariado e a caridade s\u00e3o claramente um instrumento de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, corre-se o risco de obter resultados opostos aos esperados.<\/p>\n<p>Mais uma vez, trata-se de uma quest\u00e3o de oportunidade.<\/p>\n<p>Muitos, certamente sem mal\u00edcia, nos primeiros dias de emerg\u00eancia, desfilaram triunfalmente afirmando que tinham comprado ventiladores ou o fornecimento de m\u00e1scaras ou feito donativos a este ou \u00e0quele hospital. Gestos nobres, necess\u00e1rios e \u00fateis num momento de emerg\u00eancia nacional, mas que n\u00e3o me convencem inteiramente. <strong>Estes gestos, no entanto, perdem a sua credibilidade quando s\u00e3o antecipados atrav\u00e9s de comunicados de imprensa pelos gabinetes de comunica\u00e7\u00e3o interna<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O trabalho volunt\u00e1rio deve ser realizado longe dos jornalistas<\/strong>, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o haveria nada de errado em chamar aos gabinetes de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas aquilo que eles s\u00e3o. Em suma, \u00e9 melhor dar \u00e0s coisas o seu nome pr\u00f3prio, e \u00e9 melhor ainda se elas conduzirem a objectivos adequados.<\/p>\n<h2>Do real ao virtual, e vice-versa<\/h2>\n<p>No momento em que escrevemos, o primeiro <strong>Stay At Home GP<\/strong> <strong>organizado pelo campeonato de MotoGP<\/strong> acaba de terminar na plataforma virtual do videojogo de motociclismo de topo. 10 pilotos oficiais participaram numa competi\u00e7\u00e3o Joypad: os dois irm\u00e3os <strong>Marquez<\/strong>, Aleix <strong>Espargaro<\/strong>, Pecco <strong>Bagnaia<\/strong>, Fabio <strong>Quartararo<\/strong>, a dupla da Suzuki <strong>Mir<\/strong> e <strong>Rins<\/strong>, <strong>Leucona<\/strong>, <strong>Oliveira<\/strong> e Maverick <strong>Vinales<\/strong>.<\/p>\n<p>A iniciativa, que tamb\u00e9m foi adoptada sob outras formas por outras s\u00e9ries desportivas como a <strong>F\u00f3rmula 1 e a IndyCar<\/strong>, tem m\u00faltiplas vantagens, para al\u00e9m da evidente aus\u00eancia de adrenalina que uma verdadeira corrida proporciona.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 um instrumento de <strong>continuidade<\/strong>. Na aus\u00eancia das corridas, foi uma jogada inteligente da <strong>Dorna<\/strong> (detentora dos direitos do Campeonato) oferecer ideias para transportar os f\u00e3s, e n\u00e3o apenas devido \u00e0 pausa de inverno, para o momento em que as corridas podem recome\u00e7ar nas pistas reais.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, \u00e9 uma mudan\u00e7a de foco que pode ser de interesse absoluto para os f\u00e3s: os pilotos, filmados nas suas casas e longe da tens\u00e3o do dia da corrida, podem ser vistos de uma perspetiva diferente. Raramente vemos o campe\u00e3o do mundo <strong>Marquez<\/strong> a brincar com o seu irm\u00e3o na cozinha, ou <strong>Esparagro<\/strong> a correr com as crian\u00e7as \u00e0 volta do sof\u00e1 entre os jogos.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, e creio que o tema merece ser mencionado aqui, <strong>os jogos virtuais oferecem uma alternativa \u00e0 visibilidade gerada para os patrocinadores<\/strong> que, embora num formato muito reduzido, podem ver as suas marcas e as suas cores aparecerem em motos virtuais.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente, nomeadamente para os amantes deste tipo de lazer, que o streaming de jogos <strong>de v\u00eddeo<\/strong> n\u00e3o foi inventado hoje nem pelo <strong>MotoGP<\/strong>. Pelo contr\u00e1rio, plataformas como o <strong>Twitch<\/strong> e o sucesso de gamers e <strong>youtubers<\/strong> famosos (que atingiram o n\u00edvel de celebridade mundial) testemunham h\u00e1 anos a import\u00e2ncia planet\u00e1ria assumida pelo mundo dos jogos.<\/p>\n<p>No entanto, o que importa nesta fase \u00e9 a troca (por vontade ou por for\u00e7a, como se costuma dizer) entre os desportos jogados e os desportos de videojogos, em que os atletas reais competem em plataformas digitais. Passamos do real para o virtual \u00e0 espera de voltar, esperemos que em breve, ao real, com os mesmos protagonistas.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dizer hoje se este <strong>Stay At Home Gp<\/strong> pode tornar-se uma tend\u00eancia a seguir como uma experi\u00eancia divertida ou uma tend\u00eancia que acabar\u00e1 por desaparecer. O que \u00e9 certo \u00e9 que haver\u00e1 outros eventos, onde algumas das equipas &#8211; como a <strong>Ducati<\/strong> &#8211; que n\u00e3o est\u00e3o presentes hoje, declararam que v\u00e3o participar.<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente certo que, depois de terminada esta pandemia, <strong>a rela\u00e7\u00e3o entre os desportos de jogo e os desportos de videojogos deixar\u00e1 de ser a mesma<\/strong>. A import\u00e2ncia da ind\u00fastria dos jogos e a crescente aten\u00e7\u00e3o mundial aos jogos de v\u00eddeo exigem que os organizadores, as s\u00e9ries, as ligas e, provavelmente, tamb\u00e9m as equipas prestem aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vertente do jogo, que \u00e9 capaz de envolver centenas de milhares de jogadores todos os dias em todos os cantos do mundo.<\/p>\n<h2>Quem \u00e9 que se vai cansar primeiro? Um problema de leitura compulsiva<\/h2>\n<p>Um tema que ter\u00e1 de ser abordado nos pr\u00f3ximos dias \u00e9, sem d\u00favida, <strong>a quantidade de comunica\u00e7\u00e3o que chega de todos os intervenientes na ind\u00fastria do desporto<\/strong>. Se, como j\u00e1 foi referido, foi compreens\u00edvel a grande corrida em massa \u00e0 rede durante os primeiros dias da pandemia, \u00e9 agora necess\u00e1rio perguntar at\u00e9 quando ser\u00e1 adequado continuar a oferecer v\u00eddeos de treinos de atletas, eventos passados, Instagram em direto de jogadores ou inqu\u00e9ritos sobre o revestimento preferido nos carros <strong>de F\u00f3rmula 1<\/strong>.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 injustificado prever, num futuro imediato, fen\u00f3menos de sobre-leitura e de habitua\u00e7\u00e3o a este tipo de comunica\u00e7\u00e3o. <strong>Mesmo o adepto mais \u00e1vido<\/strong>, que hoje anseia por um pouco de futebol jogado ou por alguma a\u00e7\u00e3o nos campeonatos do mundo, <strong>ir\u00e1 provavelmente cansar-se<\/strong> desta agress\u00e3o comunicacional (obviamente num sentido hiperb\u00f3lico e figurativo).<\/p>\n<p>Em suma, como se dissesse: n\u00e3o podes pensar em substituir totalmente o denso calend\u00e1rio desportivo pr\u00e9-Coronav\u00edrus por um calend\u00e1rio igualmente denso de publica\u00e7\u00f5es no Facebook e de hist\u00f3rias no Instagram.<\/p>\n<p>O risco \u00e9 o de fazer fracassar um dos grandes trunfos do ve\u00edculo desportivo, ou seja, o de <strong>ser um <\/strong> <strong>meio<\/strong>(n\u00e3o estritamente falando) de <strong>puxar em vez de empurrar<\/strong>. Voltando ao aspeto dos patroc\u00ednios desportivos, que nos \u00e9 caro, podemos dizer que funcionam precisamente porque incluem em vez de intrometer: a mensagem publicit\u00e1ria \u00e9 inserida num acontecimento a que o espetador deseja assistir e n\u00e3o for\u00e7ada como no modo de comunica\u00e7\u00e3o &#8220;push&#8221;. Devemos, portanto, ter cuidado para n\u00e3o transformar o desporto em publicidade para o desporto, potencialmente desagrad\u00e1vel mesmo para o adepto mais apaixonado.<\/p>\n<h2>Informa, diverte e distrai, com aten\u00e7\u00e3o e sinceridade<\/h2>\n<p>A Covid, a pandemia mundial, os confinamentos e a impossibilidade de assistir pessoalmente a um evento s\u00e3o <strong>exemplos de<\/strong> grandes <strong>crises desportivas<\/strong>. Hoje, mais do que nunca, neste momento hist\u00f3rico muito preciso, o mundo do desporto deve assumir inteligentemente o papel de <strong>entertainer<\/strong>. Em tempos dif\u00edceis para as vidas e as consci\u00eancias, o p\u00fablico deve poder recorrer ao desporto (e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o desportiva) como uma v\u00e1lvula de escape e um momento de distra\u00e7\u00e3o. As repeti\u00e7\u00f5es de competi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, as colunas de fundo, os jogos premiados e o passatempo, se administrados com cortesia e medida, s\u00e3o instrumentos \u00fateis para fazer com que uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o, obrigada a ficar em casa \u00e0 espera que o pesadelo acabe, &#8220;relaxe e se sinta \u00e0 vontade&#8221;, pelo menos durante algum tempo.<\/p>\n<p>Informar, entreter e distrair devem ser as principais fun\u00e7\u00f5es a perseguir por quem pratica a comunica\u00e7\u00e3o desportiva, porque n\u00e3o se deve esquecer, mesmo que a tenta\u00e7\u00e3o seja forte, que o consumidor final \u00e9 o principal objetivo do desporto em geral. Quer se trate, como j\u00e1 foi referido, de uma m\u00e1quina para colorir, de um videojogo de basquetebol, de um treino para replicar em casa ou de uma velha repeti\u00e7\u00e3o de acontecimentos passados; durante este per\u00edodo, o desporto deve servir basicamente como um grande pacificador da vida quotidiana.<\/p>\n<p>Claramente, o desafio para os comunicadores de hoje \u00e9 saber, com intelig\u00eancia e oportunidade, como <strong>misturar objectivos externos e internos<\/strong>, prestando simultaneamente muita aten\u00e7\u00e3o aos <strong>patrocinadores<\/strong>, <strong>investidores<\/strong>, <strong>parceiros<\/strong> e outras partes interessadas da ind\u00fastria. Esta mistura est\u00e1 longe de ser f\u00e1cil, especialmente ao fim de algum tempo, quando come\u00e7amos a ficar sem temas novos, quest\u00f5es desconhecidas e caminhos imprevis\u00edveis.<\/p>\n<h2>O novo mundo antigo<\/h2>\n<p>Um dia, esperemos que n\u00e3o muito distante, <strong>estes tempos dif\u00edceis que estamos a atravessar ser\u00e3o apenas uma recorda\u00e7\u00e3o<\/strong>. Quando isso acontecer, talvez sem grande alarido, o mundo do desporto, da comunica\u00e7\u00e3o desportiva.., <a href=\"https:\/\/rtrsports.com\/en\/blog\/sports-marketing-sports-communication-story-began\/\"><strong>do marketing desportivo<\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/rtrsports.com\/en\/blog\/how-sports-sponsorships-work-in-italy-and-worldwide\/\"><strong>patroc\u00ednios<\/strong><\/a> ter\u00e1 mudado profundamente. Como todos os grandes momentos de mudan\u00e7a hist\u00f3rica, mesmo esta emerg\u00eancia, com o seu nome ex\u00f3tico &#8220;<em>Covid-19<\/em>&#8220;, ter\u00e1 marcado um ponto de n\u00e3o retorno para o profissionalismo, a consci\u00eancia e as compet\u00eancias: o desporto n\u00e3o ficar\u00e1 isento deste tipo de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este per\u00edodo de tempo deixar-nos-\u00e1, muito provavelmente, com enormes lacunas, mas tamb\u00e9m com <strong>novas riquezas<\/strong> e <strong>novas ferramentas<\/strong>. Teremos, sem d\u00favida, redescoberto uma nova faceta da nossa profiss\u00e3o e da nossa ind\u00fastria, que talvez hoje, pela primeira vez, vejamos de cima, como um todo, com este estranho e partilhado sentido de unidade.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a, o desejo, <strong>\u00e9 que o rescaldo seja melhor do que o que t\u00ednhamos anteriormente<\/strong>; que nos tornemos mais fortes, mais conscientes e mais alinhados uns com os outros. <strong>Um pouco abalados, talvez, mas melhores.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No momento em que estas linhas s\u00e3o escritas, o mundo est\u00e1 em confinamento h\u00e1 meses devido \u00e0 pandemia do Coronav\u00edrus. 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