Quem são os melhores pilotos de MotoGP de sempre? Se olharmos para os números, a classificação começa em Giacomo Agostini, com 15 títulos mundiais ainda imbatidos, passa por Valentino Rossi e os seus 9 mundiais em quatro categorias diferentes, e chega a Marc Márquez, que com o título de 2025 conquistado com a Ducati subiu a 9 campeonatos no total. Mas os números, por si só, não contam tudo: esta classificação — atualizada a 2026 — pondera resultados, talento, carisma e impacto na história do Mundial de Motociclismo. Dos pioneiros aos heróis modernos, eis os dez nomes que deixaram uma marca indelével nas duas rodas.
1. Giacomo Agostini: o campeão lendário
Giacomo Agostini, com 15 títulos mundiais e 122 vitórias em corrida, continua a ser uma lenda indiscutível e o piloto mais titulado da história do Mundial de Motociclismo. A sua capacidade de dominar em simultâneo a classe 350 e a classe 500 não tem comparação na história do motociclismo. «Ago» correu e venceu numa época em que também se competia em circuitos de estrada: são lendários, a este propósito, os seus 10 triunfos no Tourist Trophy.
Agostini é frequentemente apontado como o maior piloto da história da MotoGP graças ao domínio absoluto nos anos 60 e 70 — oito títulos na 500 e sete na 350. A sua influência ainda hoje se faz sentir entre os jovens talentos do motociclismo.
Na sua carreira permanece histórica a passagem da MV Agusta para a Yamaha que, por muita polémica que tenha levantado, dá a Ago um mundial na 350 em 1974 e um na 500 em 1975, além da prestigiosa vitória na estreia com a marca japonesa — à frente do companheiro de equipa Kenny Roberts — nas 200 Milhas de Daytona de 1974. Agostini foi uma das primeiras superestrelas das duas rodas, protagonista de anúncios televisivos e de filmes como «Bolidi sull’asfalto a tutta birra», que dão bem a ideia de como a sua popularidade tinha ultrapassado os portões das pistas.
2. Valentino Rossi: o Doutor do motociclismo
Valentino Rossi, conhecido como «o Doutor», revolucionou o mundo da MotoGP. Com nove títulos mundiais, 115 vitórias e um carisma único, deixou uma marca indelével no coração dos adeptos. Rossi é o único piloto a ter vencido um mundial em quatro categorias: 125, 250, 500 e MotoGP.
É universalmente reconhecido como um dos pilotos mais vitoriosos e influentes da história do Mundial de Motociclismo. As suas rivalidades com Max Biaggi, Sete Gibernau, Casey Stoner e Marc Márquez escreveram algumas das páginas mais emocionantes do motociclismo moderno.
Rossi é o piloto que transformou um desporto de nicho num espetáculo de massas. A capacidade de furar o ecrã e de comunicar fez do motociclismo o desporto popular que é hoje, e não só em Itália: bancadas amarelas e milhares de adeptos vestidos com o seu merchandising foram uma constante da época dourada de Valentino em todos os circuitos do mundo. Um caso de estudo, para quem trabalha em marketing, de como um único atleta pode multiplicar o valor comercial de um campeonato inteiro.
3. Marc Márquez: o fenómeno moderno
Marc Márquez venceu nove títulos mundiais, sete dos quais na categoria rainha: o último, o mundial de 2025 conquistado com a Ducati, chegou em Motegi com cinco rondas de antecedência, fechando uma das recuperações mais extraordinárias da história do desporto — o primeiro título desde 2019, depois de anos de lesões que pareciam ter comprometido a carreira. A sua agressividade e a capacidade de disputar cada corrida no limite fazem dele um dos pilotos mais emocionantes de sempre; a comparação com Ayrton Senna pode parecer arriscada, mas em cada saída de Márquez, como acontecia com Senna, podem ver-se coisas excecionais.
Márquez é conhecido pelo estilo de condução espetacular, pelos salvamentos impossíveis e pela capacidade de se adaptar rapidamente a qualquer mota. Com o regresso ao topo depois do adeus à Honda, é hoje o piloto que mais do que qualquer outro pode reescrever os recordes da MotoGP moderna — e o único potencialmente capaz de se aproximar dos números de Agostini e Rossi.
4. Mick Doohan: o dominador dos anos 90
Mick Doohan, australiano, venceu cinco títulos mundiais consecutivos na classe 500. Simplesmente, de 1994 a 1998 não era possível fazer melhor do que o segundo lugar: o domínio de Mick foi absoluto e impossível de contrariar. Uma carreira de grande sucesso mas marcada por acidentes: Doohan foi o ponto de referência da 500 nos anos 90, famoso pela determinação e pela capacidade de regressar ao topo depois de lesões gravíssimas. O seu estilo de condução agressivo inspirou gerações de pilotos.
O terrível acidente de Assen em 1992 — quando liderava o mundial com uma ampla margem — não consegue dobrar a sua vontade de competir e vencer, e os cinco títulos conquistados nos anos seguintes são disso testemunho. Só se rende em 1999, quando mais uma queda desastrosa o empurra para a retirada.
5. Casey Stoner: o talento natural
Casey Stoner, conhecido por um estilo de condução único e um talento natural cristalino, conquistou dois títulos mundiais na MotoGP: em 2007 com a Ducati — primeiro título da casa de Borgo Panigale na categoria rainha, um feito histórico — e em 2011 com a Honda. Vencer com duas marcas diferentes é a medida da sua versatilidade.
Stoner foi um canibal: não concedia nada aos adversários desde os primeiros treinos livres — poucas voltas para se colocar no topo da tabela de tempos e estabelecer de imediato quem mandava no jogo. Capaz de conduzir por instinto e acima dos problemas da mota, era uma mistura de talento puro, sensibilidade técnica e velocidade à volta rápida ainda hoje lendárias. Desde a estreia na MotoGP com a equipa LCR tinha deixado claro de que massa era feito, e durante anos disse-se que era o único capaz de extrair o melhor das Ducati mais difíceis. Famosos os atritos, dentro e fora da pista, com Valentino Rossi — acima de todos a ultrapassagem sofrida no saca-rolhas de Laguna Seca, com as rodas de Valentino na terra bem além do corretor. Problemas físicos e um crescente mal-estar com o ambiente levaram-no a anunciar a retirada muito jovem, aos 26 anos, em maio de 2012: no final da época escolheu a pesca e a família. Uma pena não termos podido desfrutar mais daquilo que sabia fazer em pista.
6. Jorge Lorenzo: o mestre da consistência
Jorge Lorenzo é famoso pelo estilo de condução limpo e pela procura constante da perfeição. Venceu 5 títulos mundiais — dois nas 250 com a Aprilia e três na MotoGP com a Yamaha — e 68 Grandes Prémios, com uma regularidade de rendimento raramente vista no motociclismo de alto nível.
Lorenzo foi protagonista de algumas das batalhas mais icónicas da MotoGP, sobretudo contra Rossi e Márquez. A meticulosidade na preparação das corridas fez dele um exemplo de profissionalismo: um cuidado obsessivo com os detalhes encarado com uma postura firme, por vezes confundida com arrogância. A convivência com Rossi na Yamaha e o famoso muro de separação entre as boxes testemunham o respeito que Valentino tinha pelo estreante com quem não queria partilhar os dados; as batalhas em pista que se seguiram continuam entre as melhores coisas do motociclismo de todas as épocas. Uma passagem pouco afortunada pela Ducati — de onde foi afastado precisamente quando tinha começado a vencer — e uma experiência falhada com a Honda levaram-no à retirada, privando-nos de um piloto capaz, nos dias bons, de impor ritmos insustentáveis e corridas em solitário semelhantes às de Max Biaggi.
7. Mike Hailwood: uma lenda entre duas e quatro rodas
Mike Hailwood, apelidado de «Mike the Bike», venceu 9 títulos mundiais — 4 na 500, 2 na 350 e 3 na 250 — num total de 76 vitórias no Mundial de Motociclismo. Números que o colocam entre os pilotos mais vitoriosos de sempre, mas o que o distinguiu foram a versatilidade e a coragem: Hailwood é considerado um dos pilotos mais completos da história, capaz de competir ao mais alto nível tanto no Mundial de Motociclismo como na Fórmula 1.
De 1963 a 1974 competiu na Fórmula 1 enquanto, em simultâneo, somava títulos nas duas rodas. A sua carreira atravessa várias eras do desporto motorizado e faz dele um ícone intemporal. Incrível o regresso à Ilha de Man depois de 11 anos de ausência, no Tourist Trophy de 1978, culminado com a vitória aos comandos da Ducati 900 SS.
8. Eddie Lawson: o meticuloso
Eddie Lawson, conhecido pela precisão e pelo método, venceu quatro títulos mundiais na classe 500: três com a Yamaha (1984, 1986 e 1988) e o quarto com a Honda em 1989 — primeiro piloto a vencer o título em anos consecutivos com motas de marcas diferentes, uma capacidade de adaptação fora do comum.
Lawson nunca concedeu muito ao espetáculo: piloto regular e rapidíssimo, levava para casa o máximo possível em todas as circunstâncias. Regularidade e frieza em corrida foram a chave dos seus sucessos. Em 1992 consegue acender o coração dos adeptos italianos ao vencer o Grande Prémio da Hungria aos comandos da vermelha Cagiva dos irmãos Castiglioni — a primeira vitória da casa de Varese na 500 — antes de se retirar e passar às quatro rodas para um final de carreira avaro em resultados.
9. Kenny Roberts: o inovador
Kenny Roberts é o primeiro americano a vencer o título mundial da classe 500: três mundiais consecutivos entre 1978 e 1980, a aniquilar um campeonato obrigado a submeter-se ao seu estilo de condução revolucionário. A Roberts — e ao saudoso Jarno Saarinen — se deve o famoso joelho fora a roçar o asfalto que, aliado a um controlo da mota apurado em anos de dirt track nos Estados Unidos, fez de Roberts «o Marciano».
Terminada a carreira em cima da mota, Roberts deixa a sua marca também fora dela: como team manager da Yamaha gere as motas com que Wayne Rainey conquista três mundiais consecutivos entre 1990 e 1992, e depois torna-se construtor com a sua Team KR, apoiada pelas marcas malaias Modenas e Proton. Caso raríssimo, o seu filho Kenny Jr conquista o mundial da 500 com a Suzuki em 2000: são até hoje a única dupla pai-filho campeã do mundo da categoria rainha.
10. Wayne Rainey: a determinação encarnada
Wayne Rainey, três vezes campeão do mundo da classe 500, é admirado pela determinação e pela força mental. Para perceber o que significou para o Mundial de Motociclismo bastam os números dos seus seis anos na categoria rainha: terceiro na estreia em 1988, segundo em 1989, três títulos consecutivos em 1990, 1991 e 1992, e novamente segundo em 1993 — o ano em que liderava o campeonato até ao trágico acidente de Misano que o obrigou à retirada.
Rainey é um símbolo de resiliência: nos anos seguintes ao acidente apaixona-se pelo karting e destaca-se também aí, de 1995 a 1998 gere a equipa Yamaha Rainey no Mundial de Motociclismo e desde 2015 é presidente da MotoAmerica, o campeonato que relançou a Superbike americana. Um exemplo de como se enfrentam as adversidades, dentro e fora da pista.
O que ensina esta lista dos melhores pilotos de MotoGP de sempre a quem vê o desporto à beira da pista
Esta classificação dos melhores pilotos de MotoGP de sempre é fruto de resultados, talento, carisma e impacto na história do motociclismo. Há, porém, uma leitura adicional, e é a que interessa a quem olha para o desporto motorizado com os olhos do marketing: cada um destes dez nomes multiplicou o valor do campeonato para as marcas que estiveram a seu lado. Os pilotos passam, as equipas ficam — mas as lendas constroem a audiência em que os patrocinadores investem. É por isso que na RTR Sports, quando ajudamos uma marca a avaliar um patrocínio na MotoGP, partimos sempre dos fundamentos: piloto, equipa, corrida ou campeonato, e um calendário que todos os anos toca os mercados-chave de três continentes. As lendas de amanhã estão a correr agora. Atenção aos números, antes dos logótipos.
Perguntas frequentes
Quem é o piloto mais titulado da história da MotoGP?
Giacomo Agostini, com 15 títulos mundiais (8 na classe 500 e 7 na 350) e 122 vitórias no Mundial de Motociclismo. Nenhum piloto se aproximou ainda deste recorde.
Quem é considerado o melhor piloto de MotoGP de sempre?
Não existe uma resposta única entre os melhores pilotos de MotoGP de sempre: pelo número de títulos é Giacomo Agostini (15), pelo impacto mediático e pelas vitórias na era moderna é Valentino Rossi (9 títulos em quatro categorias), enquanto Marc Márquez — 9 títulos, 7 dos quais na categoria rainha depois do mundial de 2025 com a Ducati — é o único no ativo que ainda pode reescrever estes números.
Quantos títulos venceu Marc Márquez?
Nove títulos mundiais no total, sete dos quais na categoria rainha. O último é o mundial de MotoGP de 2025, vencido com a Ducati com cinco rondas de antecedência: o seu primeiro título desde 2019, no final de uma das recuperações mais celebradas da história do motociclismo.
Quem é o único piloto a ter vencido o mundial em quatro categorias?
Valentino Rossi: 125 (1997), 250 (1999), 500 (2001) e MotoGP (2002, 2003, 2004, 2005, 2008, 2009).