O calendário do MotoGP 2027 reúne 22 Grandes Prémios em cinco continentes: a temporada arranca a 7 de março em Buriram, na Tailândia, e termina a 28 de novembro em Valência. Há duas grandes novidades, a estreia do circuito citadino de Adelaide, que substitui Phillip Island como palco do GP da Austrália, e o regresso da Argentina a Buenos Aires, onde o Campeonato do Mundo não corria desde 1999. A Hungria sai do calendário. Em seguida, todas as datas, o PDF oficial para descarregar e uma leitura daquilo que este calendário diz a quem investe no MotoGP.
O calendário completo do MotoGP 2027
| # | Fim de semana | Grande Prémio | Circuito |
|---|---|---|---|
| 1 | 5-7 de março | Tailândia | Chang International Circuit, Buriram |
| 2 | 12-14 de março | Catar | Lusail International Circuit |
| 3 | 2-4 de abril | Brasil | Autódromo Internacional Ayrton Senna, Goiânia |
| 4 | 9-11 de abril | Argentina | Autódromo Oscar y Juan Gálvez, Buenos Aires* |
| 5 | 23-25 de abril | Estados Unidos | Circuit of the Americas, Austin |
| 6 | 7-9 de maio | Espanha | Circuito de Jerez-Ángel Nieto |
| 7 | 14-16 de maio | França | Le Mans |
| 8 | 28-30 de maio | Itália | Autodromo Internazionale del Mugello |
| 9 | 11-13 de junho | Catalunha | Circuit de Barcelona-Catalunya |
| 10 | 25-27 de junho | Países Baixos | TT Circuit Assen |
| 11 | 9-11 de julho | Alemanha | Sachsenring |
| 12 | 16-18 de julho | Chéquia | CREDITAS Autodrom Brno |
| 13 | 13-15 de agosto | Grã-Bretanha | Silverstone Circuit |
| 14 | 27-29 de agosto | Áustria | Red Bull Ring, Spielberg |
| 15 | 10-12 de setembro | São Marinho | Misano World Circuit Marco Simoncelli |
| 16 | 17-19 de setembro | Aragão | MotorLand Aragón |
| 17 | 1-3 de outubro | Portugal | Autódromo Internacional do Algarve, Portimão |
| 18 | 15-17 de outubro | Japão | Mobility Resort Motegi |
| 19 | 22-24 de outubro | Malásia | Petronas Sepang International Circuit |
| 20 | 29-31 de outubro | Indonésia | Pertamina Mandalika International Circuit |
| 21 | 12-14 de novembro | Austrália | Adelaide Street Circuit* |
| 22 | 26-28 de novembro | Valência | Circuit Ricardo Tormo, Cheste |
* Sujeito a homologação. Calendário provisório publicado pela FIM e pelo MotoGP a 25 de setembro de 2026.
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As novidades do calendário de 2027
Adelaide, o Grande Prémio na cidade
A 14 de novembro, o MotoGP vai correr pela primeira vez no Adelaide Street Circuit, um traçado citadino redesenhado nas ruas que receberam a Fórmula 1 entre 1985 e 1995. O acordo com o Governo da Austrália Meridional e a cidade de Adelaide, anunciado a 19 de fevereiro de 2026, abrange seis edições, até 2032 inclusive, e encerra uma época: Phillip Island era a casa do Grande Prémio da Austrália, quase sem interrupções, desde 1997. O MotoGP apresenta-o como o primeiro Grande Prémio da era moderna disputado no centro de uma cidade. A corrida, tal como a argentina, continua sujeita a homologação.
Buenos Aires, o regresso da Argentina
A 11 de abril, a Argentina volta ao calendário depois de um ano de ausência, mas muda de morada. Já não Termas de Río Hondo, que acolheu a última edição em 2025, mas sim o Autódromo Oscar y Juan Gálvez de Buenos Aires, em remodelação completa desde janeiro de 2026 (pista, boxes, paddock, escapatórias) para cumprir as normas internacionais. A última vez que o Campeonato do Mundo lá correu foi em 1999.
Quem sai e quem muda de lugar
Sai Balaton Park, na Hungria, ao fim de apenas duas temporadas: o seu lugar é, na prática, ocupado por Buenos Aires, e o número de Grandes Prémios mantém-se nos 22. O Catar, adiado para novembro em 2026 devido ao conflito no Médio Oriente, regressa ao arranque da temporada como segunda ronda, enquanto a Áustria volta a agosto, duas semanas depois de Silverstone.
O calendário entre parênteses: como está construída a temporada
Visto de cima, o calendário de 2027 tem uma forma muito precisa, e vale a pena dar-lhe um nome. Chamamos «calendário entre parênteses» a esta arquitetura: a temporada abre e fecha fora da Europa, e entre os dois parênteses fica o corpo europeu do campeonato.
O primeiro parêntese, entre março e abril, põe em fila cinco Grandes Prémios fora da Europa: Tailândia, Catar, Brasil, Argentina e Estados Unidos. Depois, de 9 de maio em Jerez a 3 de outubro em Portimão, doze Grandes Prémios consecutivos na Europa, interrompidos apenas pela pausa de verão de quase um mês entre Brno (18 de julho) e Silverstone (15 de agosto). Por fim, o segundo parêntese: Motegi, Sepang e Mandalika em três fins de semana seguidos (a única tripla jornada da temporada) e depois Adelaide. Valência, como manda a tradição, fecha as contas. O balanço final é de 13 Grandes Prémios europeus em 22, quatro dos quais em Espanha.
O bloco central é a parte que não se mexe. É aí que o MotoGP guarda as suas catedrais, Mugello, Assen, Jerez, o Sachsenring, o seu público mais numeroso e a cadeia de hospitality mais madura: em 2025, Le Mans recebeu 311.797 espectadores, o valor mais alto da história do MotoGP, numa temporada que ultrapassou no total os 3,6 milhões de entradas. A mudança, porém, não acontece no centro. Acontece nas margens.
América Latina: a janela de abril
O Brasil e a Argentina correm em dois fins de semana consecutivos, a 4 e a 11 de abril, e duas semanas depois chega Austin: três Grandes Prémios nas Américas em três semanas. Vendo bem, a janela abre-se ainda mais cedo, porque a 21 de fevereiro de 2027 a apresentação oficial da temporada terá lugar no Rio de Janeiro, na praia de Botafogo.
O Brasil tinha assinalado o seu regresso em 2026, depois de vinte e dois anos de ausência, com quase 150.000 espectadores em Goiânia; e o país tem hoje também um rosto para contar esta história, o de Diogo Moreira, campeão do mundo de Moto2 em 2025 (o primeiro brasileiro campeão do mundo na história do Mundial de Motociclismo) e já no MotoGP com a LCR Honda. Falámos disto com mais pormenor a propósito do MotoGP e a América do Sul. Para uma marca que olha para esse mercado, abril de 2027 é, na prática, uma pequena temporada continental, comprimida em poucas semanas e com um fio narrativo já pronto.
Sudeste Asiático: onde a temporada começa e onde se torna séria
O Sudeste Asiático ocupa, por seu lado, os dois momentos de maior tensão narrativa do calendário: a abertura de 7 de março em Buriram, quando tudo está ainda por escrever, e a tripla jornada do fim de outubro, quando a classificação começa a pesar a sério.
Há ainda um pormenor que o PDF oficial devolve sem necessidade de comentário, uma imagem congelada da geografia comercial do MotoGP. Os três circuitos do Sudeste Asiático, todos os três, trazem no nome uma marca do país que os acolhe: Chang International Circuit (Chang é a cerveja do grupo tailandês ThaiBev), Petronas Sepang International Circuit (a empresa energética malaia adquiriu os direitos de denominação em 2023), Pertamina Mandalika International Circuit (a empresa energética indonésia detém o nome desde 2021). Não é por acaso, em suma, que é precisamente aí que a marca local escolhe comprar o nome do lugar, em vez de apenas um espaço lá dentro: nesses mercados, o MotoGP pertence à cultura popular, e a associação funciona como posicionamento nacional ainda antes de funcionar como visibilidade televisiva.
Os números explicam porquê. Segundo o Ministério Coordenador dos Assuntos Económicos da Indonésia, a edição de 2025 do Grande Prémio de Mandalika gerou um impacto económico de 4,96 biliões de rupias, cerca de 278 milhões de dólares. O mesmo gesto, de resto, encontra-se também na Europa: desde abril de 2026, o circuito de Brno chama-se CREDITAS Autodrom Brno, depois de o grupo financeiro checo, já main partner do Grande Prémio, ter assumido a sua propriedade.
O que significa para quem patrocina no MotoGP
Lido com os olhos de uma empresa, o calendário entre parênteses sugere que uma temporada de MotoGP não é um bloco único para comprar ou pôr de parte, mas uma sequência de janelas de mercado. O corpo europeu continua a ser o lugar da continuidade: relações B2B, presença constante perante o público histórico, hospitality no MotoGP VIP Village. Os parênteses são o lugar do crescimento: quem aposta na América Latina tem em abril três fins de semana concentrados, quem olha para o Sudeste Asiático tem a abertura de março e a tripla jornada de outubro.
Planear ativações, conteúdos e hospitality em torno destas janelas, em vez de distribuir o orçamento de forma uniforme por vinte e dois fins de semana, faz muitas vezes a diferença entre um autocolante vazio e um patrocínio no MotoGP que trabalha a sério. Tanto mais num campeonato que em 2025 declarou uma base global de fãs de 632 milhões de pessoas, mais 12% do que no ano anterior, e que desde julho de 2025 é controlado pela Liberty Media, já proprietária da Fórmula 1, que adquiriu 84% da Dorna numa operação de 4,2 mil milhões de euros. O circuito citadino de Adelaide tem todo o ar de uma primeira experiência na direção apontada pelo plano da Liberty Media para o MotoGP: levar o campeonato para dentro das cidades, e não apenas para junto delas.
Fica uma pergunta, que o calendário de 2027 deixa em suspenso. Se os parênteses continuarem a alargar-se, e com os Estados Unidos na mira é mais do que provável, durante quanto tempo continuará o corpo europeu a ser o centro do discurso? Para quem está a avaliar um patrocínio plurianual, é uma pergunta a fazer já, e não com o contrato assinado.
Perguntas frequentes sobre o calendário do MotoGP 2027
Quando começa o Mundial de MotoGP 2027?
A temporada de 2027 do MotoGP começa com o Grande Prémio da Tailândia, marcado para 5 a 7 de março de 2027 no Chang International Circuit, em Buriram. A corrida de domingo realiza-se a 7 de março.
Quantas corridas tem o calendário do MotoGP 2027?
O calendário do MotoGP 2027 inclui 22 Grandes Prémios em cinco continentes, o mesmo número de 2025 e 2026. Treze disputam-se na Europa, quatro dos quais em Espanha (Jerez, Catalunha, Aragão e Valência).
Quando se correm Mugello e Misano em 2027?
O Grande Prémio de Itália, em Mugello, disputa-se de 28 a 30 de maio de 2027. O Grande Prémio de São Marinho, no Misano World Circuit Marco Simoncelli, está marcado para 10 a 12 de setembro de 2027.
Quais são as novidades do calendário do MotoGP 2027?
As principais novidades são a estreia do Adelaide Street Circuit, que substitui Phillip Island como palco do GP da Austrália (12-14 de novembro), e o regresso da Argentina ao Autódromo Oscar y Juan Gálvez de Buenos Aires (9-11 de abril), onde o Campeonato do Mundo não corria desde 1999. Balaton Park, na Hungria, sai do calendário. Ambos os novos palcos estão sujeitos a homologação.
Onde se corre a última corrida do MotoGP 2027?
A última corrida da temporada de 2027 é o Grande Prémio de Valência, de 26 a 28 de novembro de 2027, no Circuit Ricardo Tormo, em Cheste.
Onde se pode descarregar o calendário do MotoGP 2027 em PDF?
O calendário oficial do MotoGP 2027 em PDF, publicado pela FIM e pelo MotoGP, pode ser descarregado diretamente nesta página através do botão por baixo da tabela de datas.