Em 2015, a SIFI não era um candidato óbvio para o patrocínio do MotoGP.
Fundada em Catânia em 1935, a SIFI é uma das empresas oftalmológicas independentes mais consolidadas da Europa — dedica-se ao desenvolvimento e fabrico de produtos farmacêuticos para os cuidados oftalmológicos, lentes intraoculares, soluções cirúrgicas e nutracêuticos, operando sob a filosofia «EyeCare Together». Os seus clientes são cirurgiões, médicos e doentes. O seu mundo é a sala de operações e os congressos médicos, não a grelha de partida das corridas.
No papel, a marca não tinha nenhuma das razões habituais para entrar no mundo das corridas de motos. Não havia nenhum produto de impulso de consumo para promover através de amostras distribuídas nas pistas. Não havia um posicionamento no mercado de massas que precisasse do alcance de um campeonato mundial. Não havia história no desporto motorizado. Uma leitura convencional do briefing teria levado à conclusão de que o MotoGP era a plataforma errada para uma empresa médica B2B — e a maioria das agências teria ficado por aí.
A verdadeira questão nunca foi «a SIFI devia comprar visibilidade no MotoGP?». Era: haverá alguma razão para uma empresa farmacêutica estar presente neste desporto em que ainda ninguém tenha pensado?
A recomendação da RTR
A recomendação da RTR baseou-se numa única ideia que transformou a aparente incompatibilidade no próprio objetivo da parceria.
O MotoGP é, entre outras coisas, o teste mais extremo à visão humana no desporto profissional. Um piloto, a velocidade de competição, percorre a pista a mais de 350 km/h — cobrindo cerca de cem metros por segundo — sob um stress físico, térmico e cognitivo que não tem equivalente na vida quotidiana. Se és uma empresa oftalmológica cuja missão é compreender e proteger a visão humana, o MotoGP não é uma escolha inadequada para a tua marca. É o laboratório mais fascinante que poderias encontrar.
Essa reformulação fez duas coisas ao mesmo tempo. Deu à SIFI uma razão de ser que fosse autêntica à sua identidade, em vez de ser copiada do marketing de outra pessoa — a visibilidade tornou-se um subproduto de um objetivo científico genuíno, e não o objetivo em si. E apontou para o parceiro certo. A RTR recomendou a LCR Honda MotoGP Team, liderada por Lucio Cecchinello — uma equipa independente de topo, apoiada pela marca, com o acesso, os pilotos e, fundamentalmente, a vontade de colaborar em algo mais exigente do que um autocolante numa carenagem.
A proposta que a RTR apresentou à SIFI não era, portanto, «patrocinar uma equipa». Era:criar uma plataforma científica e de comunicação a longo prazo no âmbito do MotoGP, tendo o patrocínio como eixo comercial. Tudo o que se seguiu foi a concretização dessa ideia.
O que criámos — ao longo de todo o ciclo de vida
Uma parceria que dura uma década não é uma decisão pontual. É uma estrutura que tem de ser concebida, desenvolvida, defendida e renovada ano após ano. O papel da RTR abrangeu todo esse ciclo de vida e todos os níveis do ecossistema do campeonato.
1. Nível da equipa — a base comercial
O emblema da SIFI tem aparecido sempre na carenagem dianteira da LCR Honda RC213V e nos fatos de couro dos pilotos — desde o Cal Crutchlow nos primeiros anos, passando pelo Takaaki Nakagami, Álex Márquez e Johann Zarco —, bem como nos camiões da equipa, na garagem, no vestuário do pessoal, nos materiais de comunicação e nos canais digitais. Este é o cerne visível e contratual do acordo: uma exposição consistente, ao longo de todo o campeonato, num dos objetos mais fotografados do desporto motorizado mundial.
Mas a visibilidade foi sempre vista como a fundação, nunca como o edifício.
2. Nível de ativação — transformar direitos em resultados
Um logótipo que nunca é ativado é, na linguagem da RTR, um autocolante em branco. Ao longo de dez anos, a parceria foi potenciada através de um programa de ativação bem pensado: fins de semana de hospitalidade para os parceiros da SIFI; eventos corporativos e convenções internacionais em torno dos pilotos da LCR e da moto de exibição; presença da marca nos circuitos; produtos promocionais da marca; aparições dos pilotos; e oportunidades B2B estruturadas que ligavam a SIFI à rede comercial mais ampla e às partes interessadas do paddock.
Vale a pena descrever o programa de amostragem em termos concretos. No Grande Prémio de São Marinho, em Misano, foram distribuídas amostras da Videorelax — a gama de produtos oftalmológicos de automedicação sem receita da SIFI — por todo o circuito durante os três dias de corrida. O stand contou com a presença de Cal Crutchlow, na altura o piloto principal da LCR, e recebeu visitas pessoais de Lucio Cecchinello, que deu autógrafos e posou para fotografias com o público nas bancadas e nas encostas relvadas. A iniciativa decorreu ao longo de várias épocas consecutivas, consolidando a marca Videorelax numa das etapas europeias mais concorridas do calendário.
O alcance da campanha foi muito além da pista. Durante dois anos seguidos (2017 e 2018), a SIFI foi Patrocinadora Oficial do Lucca Comics and Games, o festival internacional de banda desenhada, animação e jogos da Itália — um evento que atraiu mais de 250 000 visitantes com bilhete ao longo de cinco dias. A equipa de campo da SIFI, vestida com o uniforme da Videorelax, distribuiu amostras do produto por todo o recinto da exposição espalhado pela cidade, apoiada por banners de grande formato com a marca nos pontos-chave do festival e por um inquérito direcionado sobre a cultura da saúde ocular e o conhecimento do produto. Lucca foi uma escolha estratégica deliberada: um público jovem, que passa muito tempo em frente aos ecrãs, é precisamente a população mais propensa a sentir os olhos cansados, vermelhos e fatigados — em linha com a estratégia central da marca e a experiência do consumidor da Videorelax. A plataforma do MotoGP estava a ser usada como motor de um programa de marketing mais abrangente, totalmente fora do circuito.
O patrocínio tornou-se uma ferramenta de trabalho no próprio calendário de marketing e de relacionamento com os clientes da SIFI — não uma rubrica orçamental, mas sim um motor.
3. Nível científico — a plataforma que a tornou única
O que fez com que esta parceria se destacasse foi o projeto Driving Vision Science (DVS), lançado em 2015 e que mais tarde se expandiu para o Performance Vision Science (PVS).
Com os ciclistas da LCR como participantes no estudo, a SIFI decidiu investigar como o sistema visual humano se comporta nas condições mais extremas que o desporto pode proporcionar. A investigação mediu sintomas da superfície ocular, acuidade visual, sensibilidade ao contraste, frequência de pestanejo, imagens do segmento anterior e osmolaridade do filme lacrimal — alargando-se posteriormente à retina, à pressão intraocular e a outros parâmetros — tanto dentro como fora da pista.
A principal conclusão tornou-se uma das notícias mais divulgadas no âmbito da ciência do desporto: os pilotos de MotoGP pestanejam muito menos do que as pessoas comuns. Enquanto uma pessoa normal pestaneja mais ou menos a cada quatro a seis segundos, os pilotos estudados pestanejaram tão raramente quanto uma vez a cada três minutos — tendo-se registado, pelo menos, um piloto que ficou cerca de nove minutos sem pestanejar. Em Mugello, onde uma volta demora cerca de um minuto e cinquenta, isso significa completar uma volta e meia sem pestanejar. Os dados também mostraram que, apesar da exposição constante ao vento, aos raios UV e ao stress, os pilotos não estavam a desenvolver os danos de olho seco que seria de esperar — o que levantou questões clínicas genuínas sobre concentração, frequência de pestanejar e fadiga visual, e apontou para a necessidade de protocolos de treino ocular.
Isto não era marketing disfarçado de ciência. Os resultados foram apresentados à comunidade oftalmológica internacional em congressos de renome — incluindo o encontro da ESCRS (Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Cirurgia Refrativa) no Hofburg, em Viena, em 2018 — e o projeto foi destacado pelos próprios canais oficiais do MotoGP. Para uma marca cujo trunfo é a credibilidade clínica, este foi um alcance que nenhuma campanha publicitária convencional conseguiria comprar.
4. Nível de campeonato — para além de uma única equipa
A parceria acabou por ir além da LCR, estendendo-se ao próprio campeonato. Com o apoio da Dorna, a SIFI ficou responsável pelos exames oftalmológicos e rastreios oftalmológicos dos pilotos de todas as categorias de corrida ao longo de vários anos — integrando a marca na cultura de prevenção e bem-estar dos pilotos em todo o paddock e transformando um patrocínio a uma única equipa num programa de cuidados oftalmológicos que abrange todo o campeonato.
Este é o nível que a maioria dos patrocínios nunca atinge, e é a prova mais clara da profundidade das relações envolvidas: uma parceria que começou como um emblema na carenagem de uma equipa acabou por se tornar um papel permanente nas próprias operações do campeonato.
5. A extensão da MotoE — uma demonstração definitiva de compromisso
Na décima e última temporada da parceria, a SIFI alargou a sua presença para além da classe MotoGP, passando a incluir o campeonato MotoE — a categoria totalmente elétrica que representa a próxima fronteira tecnológica deste desporto. Esta decisão foi consistente com a lógica que orientou a parceria desde o início: uma empresa empenhada na investigação, na inovação e na ciência do desempenho não se limita aos limites de uma classe. Acompanha o desporto para onde este se dirige.
O arquiteto do lado da marca — Dr. Carmelo Chines
Nenhuma parceria com esta complexidade se mantém por causa da inércia institucional. Mantém-se porque alguém do lado da marca percebe, ano após ano, qual é o seu objetivo e do que é capaz.
Essa pessoa, na SIFI, foi o Dr. Carmelo Chines, que na altura era Diretor Executivo de Operações, cuja visão e liderança foram o fator decisivo para a longevidade e a profundidade desta parceria.
Foi o Dr. Chines quem percebeu, desde o início, a lógica estratégica única de uma empresa médica a operar no desporto mais rápido do mundo: que a autoridade que o MotoGP confere a uma marca não é a autoridade da visibilidade em massa, mas sim a autoridade da extrema relevância. Essa credibilidade construída numa grelha de partida é uma credibilidade conquistada nas condições mais rigorosas possíveis, e uma empresa cuja missão é melhorar a qualidade da visão humana não tem demonstração mais poderosa do que os homens e mulheres que vêem o mundo com mais clareza do que qualquer outra pessoa viva.
Sob a sua direção, a SIFI não se limitou a ocupar espaço dentro do paddock. Aproveitou esse espaço para produzir investigação científica original, para estabelecer relações com a comunidade oftalmológica internacional, para marcar presença em eventos que iam desde os circuitos do MotoGP até às ruas de Lucca e para integrar a sua marca na estrutura de bem-estar dos pilotos do próprio campeonato. Cada uma destas decisões exigiu convicção estratégica e a vontade de apostar num horizonte a longo prazo, em vez de um retorno a curto prazo.
O resultado — dez épocas consecutivas, um programa científico próprio citado em congressos europeus de oftalmologia, uma marca cujo nome é conhecido e respeitado em todo o paddock e uma aquisição por um grande grupo farmacêutico europeu em 2025 — é, em grande parte, o reflexo dessa convicção.
Nas próprias palavras do Dr. Chines: «A nossa missão é melhorar a qualidade da visão — e, por conseguinte, o desempenho visual dos atletas —, ao mesmo tempo que continuamos a rodear-nos de parceiros de sucesso que partilham os nossos valores.» É uma frase que descreve exatamente o tipo de patrocinador para quem a RTR foi criada: alguém que entende que uma parceria não é uma compra, mas sim um compromisso.
O resultado
Dez épocas consecutivas. Desde o Grande Prémio de Itália de 2015 até ao Grande Prémio de Itália de 2025, a SIFI e a LCR Honda renovaram o contrato todos os anos — uma continuidade rara em qualquer desporto e quase inédita no MotoGP, onde a maioria das relações comerciais muda ao fim de poucas épocas.
O que a SIFI obteve nunca foi apenas exposição, embora essa exposição fosse substancial e ininterrupta. Foi:
- umaplataforma científica própria que gera dados originais, interação com os pares e cobertura mediática espontânea, tanto no mundo do desporto como no mundo da medicina;
- uma plataforma de B2B e de hotelaria que coloca a marca à vista dos públicos clínicos e comerciais certos, ano após ano;
- um programa de ativação dos consumidores — através de degustações junto às pistas e de eventos fora do circuito, como o Lucca Comics and Games — que transformou os direitos de patrocínio numa presença direta no mercado;
- uma narrativa de marca autêntica — credibilidade na área dos cuidados oftalmológicos demonstrada, e não apenas afirmada — que reforçasse exatamente o posicionamento de que a SIFI precisava no seu mercado real;
- e uma parceria tão sólida que, segundo a própria descrição da RTR, as duas organizações passaram a funcionar menos como patrocinador e equipa e mais como uma família.
Ao longo dessa mesma década, a SIFI transformou-se num grupo oftalmológico internacional com presença em vários continentes, acabando por ser adquirida por uma grande empresa farmacêutica europeia em 2025. A plataforma do MotoGP não foi a causa desse crescimento — mas foi, ao longo de todo esse período, um dos ativos mais marcantes na forma como a empresa se apresentava ao mundo.
Porque é que esta parceria só poderia ter sido criada pela RTR Sports
A colocação de um logótipo pode ser negociada por quase qualquer pessoa que tenha um contacto numa equipa. Mas isto não foi possível.
Conceber um patrocínio com base numa justificação científica; associar a marca à única equipa disposta a colaborar na investigação; criar o programa de ativação, hospitalidade e B2B que transformou esses direitos em resultados; organizar uma operação de amostragem para os consumidores que se estendeu desde a pit lane de Misano até às ruas medievais de Lucca; apoiar a divulgação da ciência em congressos e nos meios de comunicação; e, por fim, ajudar a alargar a relação de uma única equipa para um papel que abrange todo o campeonato com a Dorna — tudo isto requer uma agência que atue em todos os lados da mesa ao mesmo tempo: do lado do patrocinador, da equipa e do campeonato.
É essa a diferença entre uma agência que vende espaço publicitário e uma agência que concebe um programa. A RTR Sports apresentou a SIFI ao MotoGP em 2015 e, depois, permaneceu durante toda a década como parceiro independente, estruturando, dinamizando e renovando a relação em cada fase. A amplitude do que foi construído é uma consequência direta da profundidade das relações que estão por trás disso — e essa profundidade, medida em décadas e presente em todos os níveis do desporto, é a única coisa que um concorrente não consegue criar do nada.
É assim que se apresenta uma intervenção em vários níveis e ao longo de todo o ciclo de vida na MotoGP. É o padrão que a RTR Sports foi criada para oferecer.